5.12.2009
1.23.2009
Na dúvida, há a memória.
Existem ainda os silêncios.
Tanto quanto as impossibilidades.
***
Ainda não descobri se o tempo leva tudo embora
Ou se coloca as coisas no seu devido lugar.
Se vc souber a resposta
Me conta?
1.08.2009
Guimarães Rosa
"Escrever é tão perigoso", Clarice escreveria mais tarde, "o perigo de mexer no que está oculto - e o mundo não está à tona. Está oculto em raízes submersas nas profundezas do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Nesse vazio é que existo intuitivamente, mas é um vazio terrivelmente perigoso, dele arranco sangue". Clarice sabia, o vazio era a sombra do seu próprio mistério que se realizava na escrita.
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso", escreveu depois à irmã, Tania Kaufmann, entre caixas abertas, segredos e tesouros trazidos à tona cuidadosamente para não se partirem, "nunca se sabe qual deles que sustenta o nosso edifício inteiro".
http://74.125.113.132/search?q=cache:mL8_7jYnwtwJ:rascunho.rpc.com.br/index.php%3Fras%3Dsecao.php%26modelo%3D2%26secao%3D3%26lista%3D1%26subsecao%3D65%26ordem%3D2775+perto+do+cora%C3%A7%C3%A3o+selvagem+cr%C3%ADticas&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=21&gl=br
7.29.2008
6.12.2008
***
"É ao amor que devemos servir"
(Quiroga)
6.06.2008
caro apreço pela fabulação, sentido onírico da razão.
***
(eu queria, de verdade, que conseguíssemos ficar mais perto um do outro. )
***
"fazer do corpo uma potência que não se reduz ao organismo, fazer do pensamento uma potência que não se reduz à consciência."
***
vai ver, o corpo tem pontos que a gente sequer imagina, acessíveis mesmo só pela emoção e pela invenção.
***
as situações nem sempre são possíveis. mas é gostoso acreditar no melhor, né?
***
incerto quanto ao norte, visito os sons do sul - guarida para os quereres é tudo o que precisamos, e certo é que a gente chega lá.
***
6.04.2008
Escafandrista do pensamento
Na função do incerto
A atitude amorosa
Sempre à beira
Da fabulação
***
Foi em algum lugar
Que tomei nota de mim
Arquitetura do reconhecimento
***
Fatura da escrita
O lucro depende
Do quanto
Se esquece
http://www.youtube.com/watch?v=-4hZt--0Yno&feature=related
***
(O tempo de dentro
O tempo do interno
É o meu)
***
Meu cachorro está velho
E não enxerga mais
Perguntei para ele
Tobi,
O amor é mesmo cego?
Ele não respondeu
***
Latir à noite
E
Descorar sentidos
***
O que será que ele vê em seus olhos baços?
Onde será que ele mora agora?
***
Nascer deve ser
Quando a gente
Se sente só
Pela primeira vez
***
Aniversários
Sinônimos
Da solidão
***
Então
O que basta se a gente
"Falhar sempre. Falhar melhor."
?
Não falhar
Ao final?
***
"Desculpe
Não pude ficar de pé."
***
(Epitáfio do Groucho Marx)
***
http://www.conteeudo.blogspot.com
***
Sonhei com você ontem. Morríamos em um desastre de trânsito. O Zé estava na direção. Na hora em que íamos efetivamente despedaçar, acordei apavorado. Vicissitudes de um ego em transformação: delirar com a morte, acordar na iminência de sucedê-la em sonho. Foi difícil mas, depois, virei de lado, e voltei a dormir.
***
Sonhar a morte
Dissolução do sujeito
Acordado colapso do sonho
***
Sintaxes experimentais.
***
...
***
VOCÊ ME PROMETEU POEMAS - e eu amo isso
http://www.youtube.com/watch?v=WRR2yPWVDrE
***
"I
Cannot wait
To deeply
Neglekted you
A cuple of dreamers
So how can you
hate me!
YOU PROMISSED ME POEMS
***
NADA A VER ISSO AQUI!!!!!
***
FIREWORKS AND HURRICANES
http://www.youtube.com/watch?v=HvWOo_K4dQA&feature=related
***
And jams run freeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
***
Afinal
A alegria
Pode ser
Tão somente
Talvez
Quiça
O avesso
Da felicidade
***
Alegria!
http://www.youtube.com/watch?v=tYSK1kG1tPo
***
(About me por Bruno Mantegão e sua fantasia de Alegria!!!!!! Foi o presente dele para os meus 30!!!!)
5.29.2008
Beijão.
F.
5.28.2008
"Fazer do corpo uma potência que não se reduz ao organismo, fazer do pensamento uma potência que não se reduz à consciência."
(Aqui, Deleuze e Parnet)
"As palavras precisam conter algo de selvagem, porque são pensamentos a surpreender o impensado"
John Keynes, tradução de Maria Eugênia Mourão.
5.03.2008

O filme desse ano é o My Blueberry Nights, o último do Wong Kar-wai. Meu aniversário é na próxima segunda, dia cinco. A sessão começa às 22h. Estarei lá desde às 21h. Passa no Espaço Unibanco, sala dois, na Rua Augusta 1470. A gente se vê no cinema?
***
3016
Ele sente dificuldades para se manter de pé. Boa parte dos seus dentes já caíram - é trabalhoso comer assim. Quando o vejo de perfil, noto uma película baça gigante acoplada às suas vistas. Recentemente, surgiu um tumor em sua pele, que logo transformou-se numa purulenta ferida. Durante à noite, ouço-o lamentar-se lenta e continuamente. São uivos breves e adicionais. Tobi tem 16 anos e é o cachorro da família.
Ele fica quieto, na dele. Não corre como antes. Tem um tom sério e grave. Há silêncio em seus gestos e quase não se ouve a sua voz. Brinca com o outro cachorro, se divertem, correm pulando um por cima do outro casa afora. Embora mais lento, percebe-se nítida sua força e valentia. Também tem algo de fanfarrão nisso. Dizem que são assim os vira-latas. Ele reconhece a benção de ser um. Tobi tem 10 anos e é o cachorro da família.
Ele pula feliz quando chegamos em casa. Corre célere por nós, tem o rabo curto e faceiro. É dengoso, adora um carinho e se esparrama para ser acariciado. Sua felicidade - como seriam seus uivos depois - é curta e breve. Sentado ao meu lado, passo a mão em sua cabeça e paro - então, ele ergue uma das patas, e pede, meio desmaiado, por mais. É um cachorro um tanto ensimesmado. Tobi tem 4 anos e é o cachorro da família.
É logo cedo, e do meu quarto ouço o Luiz conversar com ele, durante o café. Pergunta, com um tom de voz animado, se Tobi tem plano de previdência para quando a velhice chegar - hoje percebo que, seja do jeito que for, o tempo vem. Tobi continua comendo. Para ele, a hora é sempre agora. Tobi tem 8 anos. Luiz tem 63 menos oito. Todos de casa tem menos oito. É uma das lembranças mais legais que tenho de nós. Eu me pergunto se esse será meu último aniversário com a presença do Tobi. Não tem como saber, mas tudo indica que sim. Então, eu me pergunto outra vez se cada aniversário não nos despovoa um tanto - cada ano uma distinção. Ressignificar o que perdemos, ganhar o que somos. Nascer - momento que tem choro, mas é inexoravelmente feliz - e também presentear-se com a primeira consciência da solidão - palavra com poucos sinônimos no dicionário, possivelmente porque cada um tem a sua particular, constantemente atualizada.
Vou fazer trinta na próxima segunda. Fico curioso para saber o que Tobi vê em seus olhos opacos. A impressão que tenho é que ele só não morreu porque não pode. Anos atrás, no princípio de sua cegueira, escrevi:
O cachorro está velho
E não enxerga mais
Perguntei para ele
O amor é mesmo cego?
Ele não respondeu
Aproveitei o café da manhã
E retomei
Talvez a culpa
Fosse do idioma
Disse eu:
Tobi, Love is Blindness?
Com ares de lorde
Ele afinal respondeu!
Não falo inglês
Disse, bateu às tontas
E saiu
***
Quando criança, adorava passear de carro com o Luiz ou com a Ceila. Preso a uma confortável cadeirinha no banco traseiro, ou ali no lugar do passageiro, podia acompanhar a pulsação da rua. Com o vidro fechado, tinha o som do carro - rádio ou fita. Aberto, havia os confetes de som e imagens que vinham de fora. Uma cidade, uma edição pessoal, própria, particular. Insul-film era raro - no princípio, tratávamos por vidro-fumê. A cidade era o meu cinema e nós éramos o cinema da cidade. Pelas janelas, interagíamos com pessoas, cães, outras crianças fazendo caretas. Naqueles momentos em que se tem uma significativa conversa - seja com os outros, seja consigo - ali também reside a potência do cinema.Vai ver, busco a interlocução porque quero a palavra, seu som, sua imagem, o cinema que nela reside, o resultado das trocas, das relações.
O filme deste ano fala de partir em busca do mundo para conhecer a si. É ainda sobre como estar diante da dor do outro para se dar conta das suas próprias possibilidades. O que passou e o que virá nunca serão totais. A fome volta. Para saciá-la, há o movimento, uma resvalosa inquietação dos corpos...
5.02.2008
***
(Com um blog novo. O link tá aí embaixo, deixe lá seu comentário!)
***
Reconciliações, conversas, confissões.
Eu quero entender porque é bonito.
***
Das renúncias
Começo a entender
Porque é
Necessário
***
Sintaxes Experimentais...
***
Instantes perecíveis de uma existência ordinária.
***
Tangenciar a dor
Equacionar tudo num bravo
Corpo
Não sei onde vai dar
Mas eu vou
Amar sempre é junto: vem dor, vem medo, vem alguma tristeza também, quiça uma
afortunada
compreensão
Os finais não costumam ser alegres
Mas o acaso
Às vezes
Só às vezes
Dá uma forcinha...
http://www.youtube.com/watch?v=FDLArCJ5rRo
***
Formas, procedimentos, gestos, carinhos
Tem sido tudo um mesmo fio da aproximação
***
(Que brega isso! ;-)
***
http://www.youtube.com/watch?v=bNbTC6xLVg0
4.22.2008
É assim que caminho pelo sol.
O tempo de dentro
É o que almejo.
O tempo do interno.
É o meu
Tempo.
3.22.2008
http://209.85.165.104/search?q=cache:enfZ4skIvwQJ:www.contracampo.com.br/sessaocineclube/carabiniers.htm+tempo+de+guerra+contracampo&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=1&gl=br
3.13.2008
***
Horóscopo do ascendente. Achei o texto bonito.
3.03.2008
O que motiva o desenvolvimento? Tento sim dissuadir a teia enredada em desmembramentos em que nasci.
Há de se firmar fé com o nosso desejo, se se quer crescer. É fato, e disso não tem o que duvidar. Mas mesmo o que nos ordena, também desabilita: e a aproximação do que nos potencializa, se dá muito é pelo seu avesso.
Abraços saudosos,
F.
12.24.2007
Silogismos Imperfeitos:
O amor é uma arte
A arte é uma mentira
Tudo começa daí.
***
A melhor escrita
Prescinde de palavras.
***
A escrita, uma trégua
para a solidão.
***
Escrever é reescrever.
***
(A escrita como o murmúrio do corpo.)
***
Expor o real
E padecer no conforto
Dos sentidos gozados
Esta noite
sonhei com Rio Grande
(Cidade da mamãe, por sinal)
Eu rasgava o país
daqui até o fim
Doido para descobrir
As fronteiras de mim mesmo.
Redesenhar o meu
Ground zero
E frente a uma
Renovação impossível de se concretizar agora
Reinvento o mapa
o meu desenho
até onde vou
quem sou
E o que me cabe sonhar.
-Regressar, recomeçar-
Não é simples
Mas tamôs aí
Louco para partir
***
Meu cachorro enxerga cada dia menos
Perguntei para ele
Se o amor é cego
E ele não me respondeu.
***
Quando eu estava quase lá
Prestes a chegar
Depois de cruzar a noite
(E era uma noite linda como nunca vi)
Primeiro num bote, rio abaixo
Depois na garupa de uma moto, mato adentro
Quase na fronteira
Travessia quase feita
Download almost done
Quase
Eu acordei
e
eu estava
sozinho.
***
(Então fui tomado
Por um súbito
Prazer
Em ser
Feiu!)
***
Mas o olhar depõe
A nosso favor
Quando é feita de observação
E amor
A vida que se tem
para contar
***
Quando o cachorro 2 late
e avança
com todo seu ódio
com toda sua ferocidade
com toda sua destreza
toda sua raiva sobre mim
É quando eu sinto
São precisamente
Os momentos do dia
Em que sinto
Que o tempo
Não tem
fim
***
Daí não consigo mais dormir
(Quero passar todo o tempo que dá fora de casa)
Sonho com estradas
E beiradas bonitas
Daí tem um momento
Tem uma hora
Que eu
Acordo
***
Assim:
http://www.youtube.com/watch?v=Bjgq3MDcuA4
12.01.2007
O mais engraçado é ter um controle muito rarefeito sobre isso, sobre o que a gente faz do esquecimento. O que você faz do seu esquecimento?
11.12.2007
sonhei com Rio Grande
(Cidade da mamãe, por sinal)
Eu rasgava o país
daqui até o fim
Doido para descobrir
As fronteiras de mim mesmo.
Redesenhar o meu
Ground zero
E frente a uma
Renovação impossível de se concretizar agora
Reinvento o mapa
o meu desenho
até onde vou
quem sou
E o que me cabe sonhar.
-Regressar, recomeçar-
Não é simples
Mas tamôs aí
Louco para partir
***
Meu cachorro enxerga cada dia menos
Perguntei para ele
Se o amor é cego
E ele não me respondeu.
***
Quando eu estava quase lá
Prestes a chegar
Depois de cruzar a noite
(E era uma noite linda como nunca vi)
Primeiro num bote, rio abaixo
Depois na garupa de uma moto, mato adentro
Quase na fronteira
Travessia quase feita
Download almost done
Quase
Eu acordei
e
eu estava
sozinho.
***
(Então fui tomado
Por um súbito
Prazer
Em ser
Feiu!)
***
Mas o olhar depõe
A nosso favor
Quando é feita de observação
E amor
A vida que se tem
para contar
***
Quando o cachorro late
e avança
com todo seu ódio
com toda sua ferocidade
com toda sua destreza
toda sua raiva sobre mim
É quando eu sinto
São precisamente
Os momentos do dia
Em que sinto
Que o tempo
Não tem
fim
***
Quando não consigo mais dormir
Sonho com estradas
E beiradas bonitas
Daí tem um momento
Tem uma hora
Que eu
Acordo
9.13.2007
9.10.2007
8.17.2007
então, não lembro se o espetáculo que vi no Sátiros foi o Sodoma e o Gomorra... Foi um à meia-noite. Acho bom, acho fraco. Não me faz intercâmbiar perguntas. Ou talvez até faça, mas é de um brilho tão fugaz que não sinto as marcas daquele teatro em mim. Dou uma contrapartida, até duas: assisti a Um Circo de Ríns e Fígados e a sensação afetiva dela permanece porque me afeta. Idem para Pai, defendida preciosamente pela Bete Coelho até há mais tempo, e ainda atual, ainda presente na memória das minhas retinas.
O que te disse hoje é que quando um espetáculo, de teatro ou do dia, ganha em técnica mas esvazia em emoção, sinto-o chocho. Vide Gal Costa: hoje imagino que ela ponha a voz onde quiser, mas o que era a cantora nos 60?, muito mais significativa com todos os seus riscos.
É quanto a isso que me refiro: mais significados em todas as angústias.
Beijos saudosos!
Boa noite!
F.
8.07.2007
7.25.2007
Todo movimento
compõe uma história
do cuidado
É a lembrança
um cuidadoso
quebra-cabeça
de nós mesmos?
Ou será uma teia
Em que forjamos
O que não somos?
Se cuida
Para não esquecer
O que não pudemos
Ser
Se cuida
Para esquecer
Tudo o que fomos
Mesmo
Sem querer
7.09.2007
penso no que vc me disse no nosso almoço
Vc tem toda razão quando fala
que sou excessivamente crítico
Isso pode sim
Esterilizar
a emoção
Eu desconfio do amor
Da pureza do amor
É um equívoco
Recorrente
Tenho procurado adotar uma postura
Mais positiva
E então
(Secretamente)
Uma crença no melhor
Respira em mim
Então essa manhã
Até acordei ouvindo Queen!
Olha que anacrônico
E feliz
Foi depois de sonhar
Com horrorosas caveiras
E esqueletos
Expostos no saguão
Do QG de papai
Um lugar que visitei tanto
Quando criança
Em pessoas como você
Vejo uma emoção
Que só poderia mesmo estar
Condensada em
Nuvens...
Eu ainda chego lá!
Beijos carinhosos para a Vera,
F.
6.16.2007
***
Tenho exercitado observações sobre o jeito que as pessoas têm de ouvir, para aprimorar o meu também. E então me dou conta de que a gente compreende pra poder esquecer. E quando a gente esquece, é porque a gente já é. O que observávamos, já foi assimilado. Não necessariamente admitido tal qual, mas feito em nós. São, quem sabe, aquelas nódoas da madeira que a tornam exatamente o que ela pode ser naquele momento.
6.14.2007
***
Medo de errar? Ou de ser infeliz?
***
E a esperança? Realmente sinaliza o ocaso da justiça?
***
"Já não é preciso esperar por nada."
(Ave, Pasolini!)
***
Amém!
***
Elaboração continuada...
***
Papai
O que espero
dos rapazes
é semelhante
à mesma
matéria de inventar
que você me deu.
***
"Quem herda não rouba"
(não custa lembrar...)
***
Nas palavras do meu pai
havia a antiguidade.
***
No entanto
é bom saber que
uma constelação de desejos
habita meu ânimo
Se for para te ver.
***
(É, você mesmo...
Desde que eu veja.)
***
A escrita me é
um tipo
muito raro
de despedida.
***
Gramática do adeus, sintaxe do agora.
***
Tchau!
***
"Just because you feeling doesn't mean it's there!"
***
Pop is dead...
***
"Profissão: verificar sensações."
(Bruno Mantegão)
6.04.2007
5.02.2007
Pra que serve aquele botão verde na mesa, ao lado do computador?
Nada.
Ótimo. Então eu posso apertar.
***
Ele era tão fêmea que era capaz de eu encontrar uma xota nele.
***
O frio da noite dispersa os poluentes.
4.21.2007
4.15.2007
Fico até o fim porque acredito. Sempre imagino finais diferentes.
...vai ver você sempre espera o mais óbvio.
Tudo bem. A poesia não carece de definições.
Pois é. A poesia não está em lugar nenhum...
4.10.2007
4.09.2007
A Denyse, para mim, equivale a uma saraivada deles. Intempestivos, impossíveis de conter, e absolutamente renovadores. Quando cai, é para aprender: a ti é dada a benção generosa de se refazer. Descobrir, simples, como olhar para si com mais amor do que pudor. Constatar, sereno, que ninguém permanece o mesmo depois de um raio.
Obrigado, Dê!
***
Nem mais, nem menos.
***
A escrita me é um tipo muito raro de despedida.
***
Aquela parte dos encontros
Que não se inventa na hora
Tributa toda rememoração
Às cantigas e velhas histórias
De meu pai
Sou eu e ele
Na minha aurora
Sou eu e papai
Na invencionice de matrizes da memória
Se hoje estes belos rapazes
Animam virações
Múltiplos agora
É na graça dos afetos antigos
Que conheci com o meu pai.
***
Tem alguma grandeza maior do que o amor? A morte?
***
Medo de errar? Ou de ser infeliz?
***
E a esperança? Realmente sinaliza o ocaso da justiça?
***
"Já não é preciso esperar por nada."
(Ave, Pasolini!)
***
Amém!
***
Elaboração continuada...
***
Embora extrovertido, gosto mesmo é de ficar bem na minha.
***
Papai
O que espero
dos rapazes
é semelhante
à mesma
matéria de inventar
que você me deu.
***
"Quem herda não rouba"
(não custa lembrar...)
***
Nas palavras de meu pai
havia a antiguidade.
***
No entanto
é bom saber que
uma constelação de desejos
Habita meu ânimo
Se for para te ver.
***
(É você mesmo...
Desde que eu veja.)
***
A escrita me é
um tipo
muito raro
de despedida.
***
Tchaaauuuu!
***
A gramática do adeus, sintaxe do agora.
4.07.2007
***
O equlíbrio vai de mãos dadas com o nada da gente.
***
Se temos em conta que nada é absoluto, é fácil concluir que o equlíbrio surge mais vigoroso quando falha...
***
A poesia tangencia o inefável.
***
Eu gosto do sinuoso.
***
Revivo no fracasso do meu romantismo.
***
Let it loose!
***
Falha, desconstrução, anti-pop: este sou eu agora.
4.01.2007
3.29.2007
Seus latidos surgiam como lascas de árvores, cujas nódoas sintetizavam todas as impossibilidades da convivência.
Seus latidos surgiam como lascas a sinalizar as impossibilidades de uma convivência, qualquer ela que fosse.
3.18.2007
Governo acerta ao criar índice de desempenho na educação e associá-lo a repasse de recursos federais e ajuda técnica
O PLANO de Desenvolvimento da Educação (PDE), cujas diretrizes foram apresentadas nesta semana pelo ministro Fernando Haddad, foi recebido com elogios até mesmo por adversários políticos do governo Lula.
A proposta é de fato positiva. Abrangente, ela prevê ações em todas as fases do ensino formal, das creches até a pós-graduação, atingindo os mais diversos atores, de alunos e docentes a diretores. São engenhosos alguns de seus mecanismos -como a criação de um indicador de qualidade que combine desempenho em provas com dados de repetência e evasão.
A espinha dorsal do plano repousa na educação fundamental. Faz sentido. É quase unânime o diagnóstico de que o sistema está fracassando já na fase crucial da alfabetização.
De posse dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira (Ideb, a nota de 0 a 10 composta por indicadores de resultado e fluxo), o MEC vai procurar os prefeitos dos mil municípios com pior pontuação e propor-lhes um pacote de mudanças, que incluem até a forma de escolha dos diretores de escola. A adesão é voluntária.
Os que concordarem receberão assistência técnica, equipamentos e recursos financeiros extras. A continuidade do convênio fica vinculada ao cumprimento de metas, como a melhoria do desempenho no Ideb.
O MEC também pretende criar a Provinha Brasil, uma avaliação para aferir a eficácia das escolas na alfabetização, a ser aplicada em crianças de 6 a 8 anos. A meta do ministério é que todos os alunos aprendam a ler até os 8 anos.
Existem ainda novidades importantes no âmbito do professor. O MEC vai definir um piso salarial nacional para o magistério que deve ficar em torno dos R$ 800. Os recursos para tanto viriam do Fundeb, o fundo federal para o ensino básico.
No que diz respeito à formação, cada professor será vinculado a uma universidade, onde terá de submeter-se a atualizações trienais. Os que ainda não possuem diploma de nível superior terão a oportunidade de obtê-lo.
Embora bem concatenadas, as medidas ensejam algumas dúvidas. É possível que parte dos prefeitos de municípios mal avaliados não concorde com as exigências do Ministério da Educação e não adira ao programa.
É pena também que o governo não tenha aproveitado o PDE para lançar um mecanismo de incentivo à qualidade para as escolas que já se encontram na média nacional ou acima dela. Premiar as instituições que se saem melhor poderia introduzir no sistema uma saudável competição pela busca de excelência.
Há poucos reparos a fazer sobre as linhas gerais do novo plano. É necessário ter em mente, porém, que se trata de diretrizes a exigir ainda um bom esforço de detalhamento -fase em que costumam aparecer os conflitos políticos e burocráticos. Para não mencionar a implementação, de longe a tarefa mais complicada de projetos ambiciosos como o PDE. A conferir.
Editorial da Folha, 18.03.
Publicados no Caderno Mais, da Folha de Sâo Paulo, dia 18.03.
N ão tenho ilusões de ser compreendido pelos jovens, porque é impossível instaurar uma relação de caráter cultural com eles, já que vivem novos valores com os quais os velhos valores -em nome dos quais eu falo- são incomensuráveis.
Parece que estão todos de acordo! Falam, riem e se comportam da mesma maneira, fazem os mesmos gestos, adoram as mesmas coisas, montam as mesmas motocicletas [...].
A coisa medonha da cultura italiana é que os jovens sejam livres, desprovidos de complexos, que vivam uma vida feliz. Toda a burguesia italiana está convencida disso. E também toda a esquerda, sim. [...] Não entendem, não vêem. Porque não se importam com eles!
Quem não se importa com os camponeses não entende a tragédia deles. Quem não gosta dos jovens não está nem aí para eles. "Mas, claro, eles estão contentes, são desinibidos!"
T odos os meus livros e minhas obras narrativas falam de jovens: eu os amava e os representava.
Agora não poderia fazer um filme sobre esses imbecis que nos circundam. Às vezes até choro, literalmente, quando vejo o filho de Ninetto [Davoli, ator], de um ano. Lágrimas escorrem de meus olhos por pena de seu futuro. [...]
Nas grandes cidades industrializadas, a juventude se tornou odiosa, insuportável.
No fundo, o que seus pais fizeram, esses que têm entre 40 e 50 anos de idade? O que fizeram para que esses filhos não fossem assim? Nada!
Pais cujos filhos têm de 15 a 20 anos já não podem objetivamente ensinar mais nada, porque não experimentaram o tipo de vida dos filhos.
N as épocas de repressão, o sexo era uma felicidade porque ocorria às ocultas e era a derrisão de todos os deveres e obrigações que o poder impunha.
Ao contrário, nas sociedades tolerantes, como se proclama esta em que vivemos, o sexo é necrosante porque a liberdade concedida é falsa e porque é concedida de cima, e não conquistada a partir de baixo.
Portanto, não se trata de viver uma liberdade sexual, mas de se adequar a uma liberdade que é concedida.
Então, a certa altura do filme, uma das personagens dirá exatamente isto: "As sociedades repressivas reprimem tudo, portanto os homens podem fazer tudo".
Mas acrescentei este conceito que para mim é lapidar: as sociedades permissivas permitem qualquer coisa, e só se pode fazer essa qualquer coisa. O que é terrível! Hoje na Itália se pode fazer qualquer coisa.
Antes, na realidade, nada era permitido. As mulheres viviam quase como nos países árabes.
O sexo era escondido: não se podia falar, não se podia nem sequer mostrar meio peito nu numa revista. Agora permitem qualquer coisa, permitem fotos de mulheres nuas, mas não de homens.
D e resto, há uma grande liberdade nas relações entre casais heterossexuais, uma liberdade falaciosa porque deve ser aquela mesma, e porque é obrigatória. Como é concedida, tornou-se obrigatória; e um jovem, posto que lhe é concedida, não pode não aproveitar essa concessão.
Daí ele se sente obrigado a estar sempre em casal, e o casal se transformou num pesadelo, numa obsessão, e não numa liberdade [...]. É um casal completamente falso e insincero, de uma insinceridade espantosa. Vejam os jovens que, tomados sabe-se lá de que ímpeto romântico, caminham de mãos dadas ou abraçados.
Você se pergunta: "O que é esse tipo de romantismo?". Nada. É um casal relançado pelo consumismo, pois esse casal consumista compra. De mãos dadas, vão à Rinascente, à Upim [redes de lojas locais].
S e eu acreditasse que meu cinema fosse completamente integrado por uma sociedade que quer inclusive o tipo de filme que faço, então talvez eu não o fizesse. [...]
A sociedade burguesa digere tudo: amalgama, assimila e digere tudo. Porém, em cada obra em que a individualidade e a singularidade se afirmam com originalidade e violência, há algo de inintegrável.
[...] Tenho essa confiança na liberdade humana, que não saberia expor em termos racionais. Mas percebo que, se as coisas continuarem assim, o homem se mecanizará e alienará a tal ponto, se tornará tão antipático e odioso, que essa liberdade se perderá inteiramente. Eu continuaria a fazer cinema do mesmo modo, ainda que a liberdade estivesse apenas comigo e se exaurisse com a expressão.
Continuaria a fazê-lo do mesmo modo porque preciso fazê-lo. Ou me suicido ou sigo fazendo. [...]
Penso que em nenhuma sociedade o artista é livre. Sendo esmagado pela normalidade e pela média de qualquer sociedade onde viva, o artista é uma contestação vivente. Representa sempre o outro daquela idéia que todo homem, em toda sociedade, tem de si mesmo.
Em minha opinião, uma margem mínima de liberdade, ainda que nem seja mensurável, sempre existe. Não sei dizer até que ponto isso é ou não liberdade. Mas com certeza há algo que escapa à lógica matemática da cultura de massa.
N ão escrevo mais como antes, o que equivale a dizer que não escrevo mais. A princípio, quando comecei a fazer cinema, pensei que fosse apenas a adoção de uma técnica diferente, quase uma técnica literária diversa. Mas depois, pouco a pouco, percebi que se trata da adoção de uma língua diferente.
Então abandonei a língua italiana, com a qual me expressava como escritor, e adotei a língua cinematográfica. Disse várias vezes, por puro protesto, contestação total, que eu gostaria de renunciar à nacionalidade italiana. Ao fazer cinema, renunciei à língua italiana, isto é, à minha nacionalidade.
Mas a verdade é outra, talvez mais complicada e profunda: a língua exprime a realidade por meio de um sistema de signos. Já o cineasta exprime a realidade por meio da realidade. Essa talvez seja a razão de gostar do cinema, de preferi-lo, pois, ao exprimir a realidade como realidade, opero e vivo continuamente no nível da realidade.
Não nos importamos nem um pouco com a poesia. Usamos a palavra "flor" porque ela nos serve em nossas relações humanas. As imagens, ao contrário, fundam-se nas imagens dos sonhos e da memória.
Quando sonhamos e recordamos, rodamos dentro de nós pequenos filmes. Isso quer dizer que o cinema tem seus fundamentos e suas raízes numa linguagem completamente irracional, irracionalista. [...]No fundo, quando alguém vê um filme, tem a impressão de ter sonhado.
Lidando com a morte
Um leitor enviou uma correspondência muito instigante a respeito de uma discórdia que ele e a mulher têm. Na opinião dele, não há problema em levar a filha, que tem seis anos, para conhecer um cemitério, já que ela manifestou a curiosidade. Já a mãe acha que essa experiência pode acontecer mais tarde.
Faz muito sentido, na atualidade, a resistência dessa mãe. Temos feito de tudo para retirar a morte de cena, principalmente para as crianças. O fato é que fazemos de conta que morrer não é o nosso destino. O interessante é que não evitamos outros tipos de angústia para as crianças com a convicção de que são questões pertinentes só aos adultos. Não vivemos perguntando a elas: "O que você quer ser quando crescer?" Não afirmamos que, se elas não se dedicarem ao estudo, terão dificuldades na vida? Não fazemos de tudo para que aprendam a se cuidar -ensinando a higiene dos dentes, por exemplo- para garantir saúde e qualidade de vida mais adiante?
Ora, o que fazemos ao dizer essas coisas a não ser anunciar para a criança que o futuro a espera? Pois a morte faz parte desse futuro, próximo ou não. Amanhã ou depois, a criança se defrontará com ela, seja pela perda de alguém conhecido, seja no medo da própria morte. O maior problema é que a idéia de morte nos revela sentimentos dolorosos e não queremos que as crianças sofram com isso. Aliás, não queremos, nós mesmos, passar por dissabores nos lembrando de nossa finitude e de nossas perdas.
A questão é que nossos medos e negações se convertem em pesadelos na vida das crianças. Por isso, pais e mães interferem nas leituras da escola por acreditarem que algumas histórias causam noites mal dormidas, medo e angústia. Mas é a vida que provoca tudo isso, e não é possível escolher viver apenas parte dela. Como somos pressionados a garantir a nossa felicidade e a dos filhos, fazemos de tudo para evitar sentimentos dolorosos, para nós e para eles. Não é à toa que vivemos na era das "pílulas mágicas" e a elas recorremos sempre que somos acometidos por dor ou mal-estar.
O que pode acontecer a uma criança se ela for colocada diante da morte? Não sabemos, e nosso problema é pensar que sabemos, fazer previsões e planejar proteção. E é desse modo que arrancamos das crianças muitas possibilidades vitais. Uma delas é a de que tenham oportunidade de pôr em palavras o que sentem e pensam; outra, a de experimentarem certas emoções e se mobilizarem para fazer frente a elas.
Ao visitar um cemitério ou mesmo ao participar de um velório, a criança pode entrar em contato com emoções diversas: dor, desespero, serenidade, tristeza, revolta, saudades, amor, solidariedade, compaixão. E é bom lembrar que todas elas fazem parte da vida.
Cemitério é um lugar que estimula lembranças, que conta histórias, que lembra o passado e o futuro. Por isso, pode ser, sim, lugar para criança. O mais importante, ao acompanhá-la nessa aventura, é disponibilidade para, de fato, ouvir o que ela tem a perguntar e a dizer, estar disposto a enfrentar o imprevisível na relação com ela.
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ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)
Quando eu tinha três ou quatro anos, ele me colocou frente a frente com um crânio.
Do nosso lado tinha uma mulher muito chata dizendo para ele não fazer isso.
2.16.2007
http://whodouthinkur.blogspot.com/search?updated-min=2007-01-01T00%3A00%3A00-02%3A00&updated-max=2008-01-01T00%3A00%3A00-02%3A00&max-results=10
2.13.2007
Uma sulfurosa parecência dos detalhes.
O CÉU DESCAMPADO.
Descampado, o céu ermo é do besouro.
(O autoritarismo deixa o executante feliz.)
2.09.2007
Se a gente dorme para reorganizar a memória, como contar o sonho?
***
Provocar ou compreender?
***
Touro perto da lua cheia.
***
Vamos trair a dor...
***
(Meu finado About Me no Orkut.)
2.08.2007
2.07.2007
Um beijo!
F.
***
Não há o que desculpar, estimada Carol. Sinto saudades de sua companhia, é só isso, e é bom, te gosto.
Beijinhos,
F.
***
Convulsa solidão
Saudades da alegria
De todos os rapazes que amei
***
No céu que vejo na companhia de outros homens
É um tanto o corpo teu, papai
Luz etérea
Hino resplendor
Etcteras
Uma força secreta para deixar tudo que não presta pra trás
A saudade que sinto de ti
Carrega para longe a graça
De qualquer susto
***
Poesia no escuro, rascunhos inconseqüentes.
6.23.2006
***
Casualidade, isolamento, fragmentação
Fricote, saracotico
Singularidade, transitoriedade
Singular, imóvel
Paroxismo, precário
E de todos outros que me habitam
Circulares desejos
Derramadas asfixias
Rente humano
Anzol azul da solidão
Eu vou
Eu vou
Peixinhos também precisam
Como eu te lembro
Também vou
Inesquecível saudade
Sempre habitável
Saudade matinal
Dos teus primeiros
Raios de sol em minha ribalta
Eu vou
Eu vou
Desconcertado
Brilhoso
Luminado
Saúde!
Atchim!
Espirro!
Fuém!
O permitido e o proibido.
***
Partes do mito.
***
Novas formas de amar, de viver as aproximações.
***
Outros parâmetros dão margem a siginificados inusuais.
***
Pattern Recognition
***
Menos rigidez, menos pessimismo.
***
Posso ser rígido,
pesimista,
disperso.
***
Naufrago no não sentido quando despisto a saída da dor
Naufrago no não sentido quando perco a cor, a dor e o som
Do erro
Perguntas: não emudeçam meu coração
Perguntas: granjeiem, perturbem, cotejem, colorem tudo que não podem
Tornam um eco no silêncio o próprio fantasma vazio
Dedilham só aquelas teclas pretas do piano
Derramam pavões, galinhas, marrecos e patos
Aderem
Na porta da saudade
Entre ladeiras
Entre agudinhos
Perguntas
Perguntas
Perguntas
...
Perguntas: detonem guilhotinas
Perguntes: sua derradeira chance de salgar o meu mar.
***
- Ponha-se no seu lugar! Tá fazendo hora extra na vida e ainda vem me perturbar? Não se dá por feliz? Então, vá para o diabo que te carregue!
***
O preconceito é o oposto da ambição intelectual.
A ambição desejosa de interlocução.
***
O sofrimento é uma instância do gozo.
(Parafraseando o Paulinho.)
***
De repente, as bolinhas pararam de fazer barulho. O menino havia morrido.
***
-Vc contou o sonho para ela?
-Não, a sessão já stava suficientmente complexa
6.22.2006
É quando vem a angústia de querer mais, de me completar fora de mim. De ser pelo objeto, de ser pelo que posso ter. Faço-me sujeito nomeado pelos objetos. Torno a compra máscara da frustração.
***
Contra a incerteza, posse.
(João Ricardo//João Apolinário)
Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
e no centro da própria engrenagem
inventa a contra-mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade, decepado
entre os dentes segura a primavera"
***
Obrigado, Paulinho.
6.20.2006
***
Na verdade, acho que só complico para ter gosto de conquisatado, entende?
***
Hehehehe. E para quem mais seria, hein? Me diz?
***
Segunda já é difícil. Sem trabalho, então....
***
Incrível.
***
Tenho Saturno em Leão. Estou no meio do meu retorno de Saturno.
6.19.2006
***
Do Terra, para Capricornianos
6.12.2006
Adoro a sacada de quem estipula o quê-um maço de dinheiro pode virar qualquer coisa, é o paroxismo da liberdade. Somos donatários ou escravos de nossa liberdade? E quem é a criança do título? Bruno? Sônia? O outro pirralho ladrão? A relação entre eles é de cumplicidade ou de solidariedade? O que sobra para viver em circunstãncias tão miseráveis? A mãe de bruno acoberta sua mentira, para se livrar dele mais uma vez. É a moeda de troca dela. Sônia se recusa. Bruno ainda tatei em busca da própria medida envolto ora em uma caixa de papelão, ora tensionando a parede com os pés sujos de lodo. Momento em que, por sinal, repete um gesto ancestral, que já não tem a menor importância. Tudo muito simples e eloqüente, muito nítido e evidente, mas a gente continua apático...
Não mentir não é uma preocupação para mim. Acho mais depreciativo nos confundirmos com as mentiras que contamos. Mentiras são pactos. Na balança, podem até pesar em prol do altruísmo. Pena que nem sempre seja bom seguir altruísta.
Na próxima terça pretendo assistir ao filme pela quarta vez. Me seduz o clima rigoroso, em que há pouco espaço para respirar. Mas enquanto vemos, será que também mentimos? ;-)
***
Trecho de e.mail para a Mônica, que também assistiu ao A Criança.
6.10.2006
A mídia centra todas suas críticas e cobranças no PT. Ao que parece, é só deste partido que se espera autocrítica e mudança de rumo."
Paul Singer, na Folha dia 4.06.2006
***
Íntimo do tempo, surgem novos cotidianos.
***
O egoísmo é pai da solidão.
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-Ponha-se no seu lugar!
-E qual é o meu lugar?
-Ora, se você não sabe, não sou eu que vou te ensinar!
-Pmfffjgu!
-Não tá feliz? Então vá pro diabo que te carregue! Tá fazendo hora extra na vida e ainda reclama?
6.09.2006
Adolfo Bioy Casares
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"A diferença entre a genialidade e aestupidez, é que a genialidade tem limites"Máxima anônima
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"Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar"
Ludwig Wittgenstein
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"Uso a palavra para compor meus silênciosNão gosto das palavrasFatigadas de informar."
Manoel de Barros em O Apanhador de Desperdícios
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"Estamos cultivando o medo, que é a matriz do fascismo""O tolo não possui critérios de beleza. Ele só compra se disse que é bom, com o privilégio da propaganda."
Paulo Mendes da Rocha, na Folha.
Prefeito de Moscou proíbe parada gay
da Ansa, em Moscou
O poderoso prefeito de Moscou, Iuri Luzhkov, vetou oficialmente ontem a proposta de ativistas homossexuais da metrópole de organização de um desfile, no dia 27 de maio, em nome da tradição que já ocorre todos os anos nas grandes capitais européias, como Berlim, Paris e Roma. O ato demonstra que, 15 anos após a queda de União Soviética, a Rússia continua um país profundamente homofóbico.A proibição foi justificada oficialmente pela "impossibilidade de bloquear o tráfego de automóveis ao longo do trajeto proposto".Um representante da prefeitura, Nikolai Kulikov, explicou que a negativa também surgiu da necessidade de "proteger os homossexuais" de ataques raivosos por parte de nacionalistas, skinheads e ortodoxos fundamentalistas.Os militantes da "União dos Cidadãos Ortodoxos" e da "União Pan-Nacional Russa" já anunciaram há algum tempo que estão prontos a auxiliarem as forças de ordem se "os perversos", como definiram os homossexuais, ousarem realizar a manifestação.Mas os homossexuais, que na época da URSS podiam ser condenados a cinco anos prisão de pelo seu "crime", enquanto lésbicas eram enclausuradas em manicômios, reagiram à decisão da prefeitura e entraram hoje com uma ação legal contra a proibição, além de terem denunciado o prefeito Luzhkov por abuso do cargo."O município violou a lei porque não propôs um percurso alternativo", afirmou Nikolai Alekseiev, principal organizador da manifestação gay.Alekseiev lançou um apelo ao presidente Vladimir Putin para que "como responsável pela constituição, remova do cargo o ditador Luzhkov".Mas o prefeito moscovita, que considera homossexuais "anormais", tem do seu lado a Igreja Ortodoxa russa, que é fortemente hostil a qualquer forma de "propaganda homossexual", o partido Rússia Unida, de maioria no Congresso, além da opinião pública.Ontem à noite, entre os cidadãos que participaram de um debate sobre a questão em uma rede de televisão local, mais de 80% rejeitaram a idéia da Parada Gay em nome dos "valores nacionais".
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13/05/2006 - 08h28
Parada Gay terá de deixar a Paulista antes das 20h
FRANCISCO FIGUEIREDO
Claboração para a Folha de S.Paulo
A Parada do Orgulho Gay deste ano, marcada para 17 de junho, terá que desocupar a avenida Paulista antes das 20h, segundo acordo assinado ontem entre a Prefeitura de São Paulo, o Ministério Público e a associação organizadora do evento, que, no ano passado, chegou a reunir 2 milhões de pessoas.O TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) também determina que a parada seja realizada em outro local --ainda não definido-- a partir do próximo ano.Outros eventos que costumam utilizar a avenida, como a festa de Primeiro de Maio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Marcha para Jesus, também devem deixar a Paulista a partir do ano que vem. Negociada pelo Ministério Público, a mudança atende a pedidos de moradores da região e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).Inicialmente, o promotor responsável pelo TAC, José Carlos de Freitas, propôs que a parada deixasse a avenida até as 18h. Para não perder o direito de organizar o evento, a APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) decidiu negociar o horário de término na Paulista.Em 2005, segundo o presidente da APOGLBT, Nelson Matias Pereira, a parte final da manifestação só desceu em direção à praça Roosevelt, no centro da cidade, por volta das 22h.A décima edição da parada está programada para um sábado. Desde 1997, o evento só ocorria aos domingos. O motivo da alteração, diz Freitas, é que, no dia 18, a Seleção Brasileira realiza seu segundo jogo na Copa da Alemanha, enfrentando a Austrália.Um dia triste"Este não é um dia feliz. Nós estamos assinando pela necessidade de fazer a parada neste ano", disse a vice-presidente da APOGLBT, Regina Facchini.Para o militante Beto de Jesus, a cláusula mais preocupante é a que prevê o pagamento de multa de R$ 30 mil pela associação caso algum item do acordo seja descumprido. Ele teme a infiltração de pessoas interessadas em destruir a imagem da parada. "[O TAC] pode animar pessoas a fazer atos de vandalismo que comprometam um movimento que sempre foi marcado pela harmonia, e pela alegria", disse.O presidente da São Paulo Turismo --empresa ligada à prefeitura--, Caio Luiz de Carvalho, reafirmou durante a cerimônia a importância econômica do evento para a cidade. A parada do orgulho gay de São Paulo é considerada a maior manifestação do gênero no mundo.
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Da Folha On Line
6.08.2006
Qui, 08 Jun - 09h45
Senado dos EUA dá vitória à união gay
Agência Estado
O plenário do Senado rejeitou ontem uma emenda constitucional para proibir o casamento entre homossexuais nos Estados Unidos. Na contagem final dos votos, 49 senadores votaram contra a emenda, enquanto 48 votaram a favor - eram necessários 59 votos para que a emenda fosse aprovada.
Atualmente, apenas o estado de Massachusetts permite o casamento entre homossexuais no país, enquanto os de Vermont e Connecticut realizam uniões civis e outros oferecem algum de tipo de reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo.
O presidente dos Estados Unidos, George Bush, se disse "decepcionado" com a derrota no Senado. "Estou desiludido, mas a história nos mostra que temos de fazer várias tentativas para obter maioria de apoio em ambas as Casas (Senado e Câmara)".
Os parlamentares democratas, por seu lado, comemoraram a vitória sobre o presidente republicano. "A emenda pretendia introduzir uma discriminação na Constituição", disse o senador Patrick Leahy. As informações são do Jornal da Tarde.
6.07.2006
-Deixa eu ter razão pelo menos uma vez. Toma o vestido.
***
Não senti saudades durante a saudade. Foi quando te beijei que senti tua falta.
***
- Ah, é você...
-Mamãe não avisou que eu vinha?
-Mamãe avisou que você vinha.
***
O desejo é mútua felicidade. A felicidade é desejo desencanto. O desencanto referenda a angústia. A angústia promove o desejo.
***
Com o desejo danço. Torno-me menos inapto para ver o amanhecer.
***
Amar instrui o olhar.
***
-Olha, toma. Agora é teu.
-Tô pronto?
***
No fundo do mar, sinto melhor o cheiro do sexo.
***
Fiquei esperando para ver você cair.
***
Ceticismo afasta. O asséptico é insípido. Nos nossos fundos encontramos a forma mais bem acabada do sorriso.
***
Num palco, seja lá qual for, cabe toda dor de não poder ser.
***
Para alguém introvertido, lidar com a extroversão é espiritualizar-se.
***
A polêmica é oposta ao diálogo.
***
O amor nos põe em fuga e em constante busca.
***
Em um ninho me atualizo. Sou novo no divã.
***
Amar não permite acomodação.
***
A triste história de Erigamashi, vizinho de Jaime Clayton.
***
-Dar o cu pode ser um nobre jeito de gozar a dor.
***
Minha escrita visita o desejo.
***
A fricção inexorável de vontades.
***
Memória é bom ter para esquecer.
***
Desisto de perseguir, acolho o perseverar. Abandonar só o rancor, sombra sem graça na alma da felicidade.
***
E quem te disse que o porquê do gostar se pretende finito?
***
Nas bordas do desejo reside o desamparo. Amor companheiro.
***
Qual é o lugar de quem conta?
***
Interioridade recíproca: corpo-espírito, eu e o outro.
***
Amar nos torna menos indistintos.
***
A perfeição depende da inteireza ou da completude?
***
-Eu sou maior do que meu pai!
***
A pergunta torna útil a curiosidade.
***
Em Emílio, uma sistemática recusa à autoconsciência. Uma forma muito perspicaz de drenar o pensamento de todas impurezas...
***
Era um obsceno sujeito.
***
A dúvida, o receio, a incompetência aparente, mesmo a dissimulada, pode abrir caminho para a escuta afetuosa.
***
Transformar ou mudar?
***
A escrita deve ser paciente e crítica.
***
Sua arrogância anula o valor do que tem a dizer.
***
-Parabéns. Com sua arrogância você é muito eficiente em solapar sua própria autoridade.
-Não darei ouvidos a suas palavras bonitas.
-Além de arrogante é destemido? Pois tenha fé em sua pertinácia, permaneça circunscrito. Você nunca seguirá incompleto. Estás pronto. Prontinho para sofrer no mundo. Exausto, sua dor será premiada pelo mais infame nas relações...
-Então me diga: se você foi traído, porque continuou com ele? Medo da solidão? Medo de se rejeitar sozinho, neném?
-Se rejeitar a dois é mais divertido, prazer que você, isolado, nunca foi capaz de experimentar.
-Me responda você? Qual a feição da flor do egoísmo? Do que ela sobrevive? Qual sua melhor forma e cor? E o cheiro? Hum?
-Nossa incompetência para o amor é equivalente.
-A forma desencantada. A forma desamparada. Campo fértil para florescer o egoísmo.
***
-Proponho um acordo. Acordo fechado. Vamos sobreviver ao desamor?
***
Conceito de cu é rola.
***
-Qual é o conceito?
-Voltar ao passado para problematizar o futuro. A inteligência não compactua com o hábito.
-Balela. Delírios existenciais.
***
-Dar sem ky é padecer no deserto.
***
Não sou cúmplice de quem me humilha.
***
-Falo assim porque sou uma pessoa sorridente. Mas bem sei que você gostaria que fosse diferente... Gente infeliz não consegue ficar sozinha...
-É nada, nego. Aprende comigo: gente feliz demais é que merece ficar sozinha.
-Ambos estão quites, e a eles ajunte quem perpetua a lei em detrimento do diálogo... Sabe que até que para uma pessoa que não atualiza afetos, noto que seus rancores são novos. Abandonou os velhos?
-Pois você, com toda essa sua raiva, mostra que sabe amar...
-Devo tomar como elogio?
-Não. Opte pelo reverso do desdém...
-Você, que sempre optou por fazer segredo de suas melhores qualidades, até que está se saindo bem...
-Olha, não tenho culpa se involuntariamente intimido o seu pequeno poder. Estou desabituado a qualquer pensamento miúdo.
***
É dever de quem está na liderança se questionar.
***
Quero viver com você tudo aquilo que a gente só pode viver juntos
***
Prometo não te levar para ver filmes ruins!
***
Enquanto eu preferia promessas, ela optou pelos perdões.
***
Uma vontade louca de viver o melhor contigo.
***
Vamos viver o que nos faz bem!
***
Amar e ser amados nos torna mais sóbrios, porque mais conscientes de nossas incompletas verdades.
***
É sob a emoção que abrigo minha autonomia.
***
-Chega. Cansei. Quero distância, não castigo. O castigo é uma forma de não ver as crianças brincarem.
***
A percepção do significado provém do tempo.
***
Amar é viver o risco de quebrar.
***
Apaixonado pelo medo ou pelo desejo?
***
Dor ou exaustão?
***
Amor não se faz. Nasce feito.
***
O beijo é a alegria do amor.
***
Paixão não pede. Paixão transforma.
***
Paixão é uma corda
Feito pavio estende o fogo
Tal a chama azul de teus olhos
Voa célere balão, voa...
A zona remota surge
Na queda
***
Amar tem graça quanto mais liberdade.
***
Ele tinha mania de brigar com as palavras bonitas.
***
Quem se diz ofendido com uma demonstração respeitosa de afeto entre pessoas do mesmo sexo são o quê? Guardiãs da moral? E de qual moral? Da moral censora? Já não basta tornar o desejo clandestino? Já não basta impingir a pecha de esquisito, estranho? O que sobra para viver além disso, para quem tão simplesmente assume o desejo divergente da maioria? Seria a beligerância ante um ato de afeto a evidência cristalina da falência da democracia? É nisso que apostam essas pessoas? E o que pôr no lugar, então? Afinal, conviver em sociedade, que eu saiba, pressupõe ouvir e ver o que não se quer. E, acima de tudo, é função da classe dominante zelar pelos interesses das minorias políticas. Não quer permitir a livre expressão, mas não se incomoda com a geração de lucro e exploração do trabalho desses mesmos sujeitos.
***
Não tem que querer nada. A voz opressora, a ação da censura, o jugo da humilhação já estão traçados há séculos. Quem são os vencedores?
***
É dever de quem está na liderança se questionar.
***
Mais sinceridade gera mais consciência, que gera mais responsabilidade
***
Qual é o resultado prático do discurso sexista?
***
Amar tem graça quanto mais liberdade.
***
Irracionalidade, descontrole, convivência, alegria, felicidade
***
As vírgulas são os pregadores.
***
Identidade, maturidade, transformação, ampulheta
***
Esquecimento, regeneração, memória, conservação (A partir de artigo de Charles Feitosa na Bravo!)
***
Curiosidade, linguagem, aventura
***
Inexpugnável sobriedade derradeiro interesse
***
Simpatia Confiança Empatia Reciprocidade Confiança
***
Histórico Heróico Monárquico Teocrático
***
Contratos perpetuam a desigualdade?
***
Quando a crítica é o sono da razão?
***
O saber deve ser alcançado pelo desejo.
***
“Como vai essa força”, costuma dizer papai, que tem 60 anos, quando começa um papo com algum amigo distante.
***
É dever de todo cidadão de bem combater práticas homofóbicas, das mais veladas às mais explícitas.
***
Terminei o A História da Arte do Gombrich e não recomendo. Em minha leitura, senti que a que a autonomia do pensamento do leitor é desvalorizada.
***
Limites são rearranjos do tempo.
***
Papai gostava de cantar “Não deixe o samba morrer...”
***
Engraçado como muitas vezes, falar do samba equivale a dizer “Eu danço samba”, no lugar de “Eu sambo”.
***
Paulo Freire falou em "pensar certo” de forma muito apropriada.
***
Anunciar é intervir na ordem das coisas.
***
É ao intervir no mundo que o conhecemos.
***
A educação é o antídoto do medo.
***
”A memória inventa o passado”
(Quiroga, astrólogo)
***
“Saber selecionar o que deve ser esquecido para poder se concentrar no que deve pode ser realizado, eis o segredo das grandes ações humanas. Não é uma tarefa fácil, os únicos mestres de que dispomos, segundo Nietzsche, são as crianças e os animais, seres capazes de brincar ‘entre as cercas do passado e do futuro, em uma serena cegueira’”, de artigo na Bravo! de maio.
***
“Não há gênero menor, mas escritores menores”, Luiz Ruffato, em artigo na EntreLivros.
***
“O aprendizado dos nosso desejos leva à vontade de vê-los se realizando.”
(Acho que é do Renato Janine Ribeiro. Não anotei o nome do autor, sorry.)
***
“Iluminar é criar o visível e sugerir o invisível”(Henri Alekan)
***
Tem algo mais burguês do que o desejo de revolução?
***
Perscrutar a essência confere maior segurança?
***
Completar a integração entre o corpo e o espírito.
***
”Decidir é romper.”
Li Pedagogia da Autonomia, do Paulo Freire. Foi muito proveitoso.
**
“As piadas de bicha continuam. Mas agora eles sempre dizem que era uma bicha preta e pobre, assim ninguém fica de fora”(Duílio Ferronato, na Folha)
***
Qual é o lugar de quem conta?
***
Quando o típico se torna pitoresco?
***
A aptidão do conhecer está no fazer.
***
”Não há inteligência da realidade sem a possibilidade de ser comunicada”(Mais Paulo Freire)
***
Problematizar o tempo. Negociar forma com conteúdo.
***
”Björk é original. Completamente adorável. Não consigo apontar nada do que ela que não seja um bom trabalho. Ela é única, inacreditável.””Eu sempre serei aquela que provoca e que age. Jamais serei a vítima e quem reage na vida.”
Madonna
***
”Para os seres atentos, o mundo é um só”
Heráclito
***
La Prostituta Vietnamita
***
Menos severo sou mais rigoroso. E então mais exato. É sob a emoção que abrigo minha autonomia.
***
A percepção do significado provém do tempo.
***
“Há gritos intensos dentro de mim, e que me povoam da mais intensa solidão.”
“Felicidade é coisa de gente burra”
Maysa
***
Tempo de fazer, desfazer, refazer. Passar tudo a limpo.
***
Dor ou exaustão?
***
Quando a construção se dá na própria destruição?
Destruição Forma
Construção Conteúdo
***
O cinema centrifuga a realidade.
***
Quais são as formas de mediação entre a ilusão dos sentidos e a percepção da realidade?
***
Para diluir a opressão inexorável dos relacionamentos vale tudo: desde roubar o leite, cabular aula, ter um amante, adiantar o relógio, plantar bananeira em um rotor em pleno movimento.
***
A transgressão e o delito são atalhos para a superação.
***
Sobre Os Incompreendidos
***
Ao ler uma crítica de Marcelo Coelho, em seu blog, sobre o A Criança, me pergunto:
Para quê depreciar um filme?
***
Quando obras de arte merecem ser castigadas?
***
Ainda que o artigo não se restrinja ao bom e ruim, o quanto basta em uma crítica?
***
Se cada filme revela a nós mesmos, é dele ou de nós que falamos?
***
The blondes come first, canta Kim Gordon em meus ouvidos...
6.06.2006
6.05.2006
***
Sem mais.
***
"Eu vim aqui sem medo
Querendo me render "
***
Síntese amorosa provoca superação sensorial
***
Manchetes íntimas de jornais para poucos leitores.
***
Ou seria Síntese sensorial provoca superação amorosa?
***
Sou editor de mim mesmo.
Os homens temem a paixão
Ela fere, ela mata
Tal qual um dragão
Enfrentar ainda causa tanto medo
Mas fugir é bem pior:
Voltei prá te dizer que nessa guerra
Não há vencedor"
***
"Nem tudo é mão ou contra-mão"
***
Marina, Marina, Marina...
6.04.2006
***
É que o livro é tosco, jamais o assunto.
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Quanto a banda, era mais proveitoso durante o eclipse de sensações que a juventude provoca.
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Jovem maduro, a bola é outra, né?
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Hoje tô mais pra Frank Black, Black Letter Days, saca?
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O contrataste entre o idioma absolutamente incompreensível, o tom etéreo das canções, e a inusitada trajetória dos corpos devolveu a graça a algo inerte, besta.
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No entanto, só consegui reter na memória aquelas que achei sem graça.
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Mas uma prova de que o riso é deletério.
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O riso nos destitui da razão.
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É uma de suas funções. Talvez a primordial.
6.02.2006
Renè Magritte
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"As pessoas vão esquecer o que você disse, vão esquecer o que você fez, mas jamais esquecerão como você as fez sentir"
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"A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo"
Peter Drucker
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"Por vezes a justificação do erro agrava-o"
William Shakespeare
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Do about me do Moysés
5.27.2006
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Do horóscopo do meu ascendente, no Terra.
5.26.2006
Sol volta atrás
Sol em dúvida
Sol mesmo quando está frio
"O sol no cu do sapo liu-liu"
(cito Hilda Hilst)
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E se eu levar trechos para ler?
Que boa idéia!
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Fiquei rubro.
Ninguém acredita que eu fico assim.
O Júlio já viu. A Mônika já viu. Tem mais alguém. .. ;-)
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Ler pode ser muito obsceno...
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"Uma pessoa comum um filho de Deus nessa canoa furada remando contra a maré eu não duvido de nada e tenho fé"
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Rita Marina Lima Jones
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Para quem não fode com prazer só resta rir dos outros quando se ferram.
Você sabe, eu sempre fui mais caprichoso do que você, né meu irmão?
Vai ver é por isso que esse teu riso de escárnio seja tão legítimo quanto vazio.
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3 decisões:
Educação
Escrita
Música
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E louco para ouvir Massive Attack outra vez...
;-)
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"Por que nós dois nos cruzamos com pressa demais e foi tudo intenso e veloz
Nos amos meu bem só que em pistas opostas e tão sós
Mas deixa estar
vai sarar
com sorte
quase sem deixar saudade
num repente
de um mergulho
bem no meio da represa da da felicidade
Mas se vc resistir e teimar e fugir
não se assuste se tudo enguiçar
a engrenagem do amor
pode ser traiçoeira e vingar
Deixa estar"
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Marina I Love You
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Qual é a medida do ceticismo?
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"Não deixe as roupas que eu raseguei te encombrirem de razão
Se você pensa que eu não sei o tanto quanto te ensieni pois saiba que só mesmo o amor para te cegar como cegou o fato é que eu já constatei nem tudo é mão ou contra-mão NOSSO DESEJO NÃO TEM LEI e o resto é pura ilusão Coração coragem pra qualquer viagem pra qualquer sermão Não deixe as roupas...O mundo gira devagar e eu sempre à frente dele a mil um dia eu vou te reencontrar e te explicar o que feriu."
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Marina, Eu Te Amo...
5.24.2006
5.23.2006
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Tomara eu esteja conseguindo me tornar um homem melhor.)
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As primeiras coisas dele que guardei foi a coleção de Comandos em Ação. Ele tinha todos. Com cuidado pus a mão em cada um dos pequenos bonecos articulados. Abri a outra porta do armário e encotrei o caderno de páginas puídas. Em cada curva amarelada de tempo tinha um pouco. Havia ali, organizadamente, a lista com o nome de cada boneco, a data e de quem ele havia ganho. Olhei para aquelas pequenas criaturinhas empunhando armas, com roupas do exército. Será que desenho animado também fica velho? E quando morrem, será que existe um céu dos desenhos animados?
5.20.2006
Essa música tem um ar sixties, a lá girl groups, meia-lua na mão, tal e coisa...
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Tocar a meia-lua...
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Tocar a meia, o pé a e a lua...
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"Just a little bit louder now..."
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YEAH
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"Just a little bit anger now
Just a lit bit faster now..."
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Palavras do Almodóvar.
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E deu certo.
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E se todos nos inspirássemos profundamente em nós mesmos?
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We'll drive the big car...
Oxalá a recíproca seja verdadeira.
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Vou escrever sobre você. Muito. Quero te expurgar toda de mim.
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Vai ser meu jeito de botar a mão, os olhos e mirar a palvra em sua direção.
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"Looking for water"
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Bowie é a resposta do dia.
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:-)
Mas a despeito das minhas vontades, isso não é verdade. Não é. Fato. Ponto.
(E por que não?)
Então vou buscar uma forma nova de te ter dentro de mim. Um forma que incomode menos. Uma forma que dê para viver. Uma forma menos abusada. Um jeito feliz de ter você como uma impossibilidade triste em mim.
Vai ser assim. E é incrível como nossa relação silenciosa me põe em movimento.
Mas eu estou conseguindo. E quando menos esperar
PLIM
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Sir David Bowie, é claro. Me refiro ao Bowie atual. Parafraseando Exu, ninguém aqui é Ziggy Star Dust.
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Afinal, montação definitavamente não faz o meu gênero.
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"I discovered a star"
5.13.2006
5.11.2006
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Zé Celso, no Estadão, domingo, em depoimento sobre o legado do Freud.
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"As palavras são essenciais, por isso algumas palavras são preservadas, e as histórias não podem ser totalmente dispensadas, de modo que são iniciadas e modificadas e descartadas, mas jamais completamente abandonadas, pois é nas histórias que mora a vida, enquanto houver moradia, até despejo final"
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"Tão logo deixamos de cobrar o que falta à narrativa, percebemos o que ela contém."
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by Salman Rushdie
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Que história merece ser definitivamente abandonada?
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O quanto de cruel há no que é irreversível?
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"A narrativa é como um barco que naufraga antes de entrar no porto. E esse espaço que falta, nós completamos."
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Não lembro quem é o autor.
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(Pode ter sido eu.)
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Não precisa ser perfeito, basta ser completo.
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"Freud reduziu o sofrimento do indivíduo, fazendo-o ver que suas paixões, por más que sejam, são ainda assim humanas."
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Do Renato Janine Ribeiro, o Sr. Bocão (Ui!)
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Oh, Céus! COmo sua inteligência me excita.
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"O sofrimento é uma forma de grande delícia"
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Nietzsche-Papa
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"Só como fenômeno estético podem a existência e o mundo justificar-se eternamente."
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Do Nietzsche também? Já não lembro. Mas não parece.
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"As ilusões do mundo são insuficientes para inibir a humilhação, porque todos são arogantes."
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Leonardo Trevisan
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Não me interessa intimidar o outro.
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Academia estressa os músculos. O que será que as pessoas fazem com tanta violência?
5.09.2006
se adquire
com o aprendizado;
O bom aprendizado
se adquire
com a experiência;
A vasta experiência
se adquire
com o tempo;
Tempo que é repleto
de criar e expressar,
fazer e conhecer;
entender e apreciar..."
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Do About Me da Fabi GB. Autor não informado.
5.08.2006
(Paz, Octavio. A Imagem, in O Arco e a Lira")
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Valeu, Talita!
5.04.2006
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No meu último dia da idade, um pássaro rolou rápido rasante para dentro de casa. Deu com as fuças na parede. Caiu matoto no chão. Tem um pincher que mora comigo. Foi até ele e disse, juro eu vi,
-You're not supposed to be here.
A ave então cambaleou tonta e resoluta.
Nos olhamos boquiabertos.
Uma das inspirações para este blog foram os papos virtuais que tenho com o Kazu sobre leituras.
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Valeu, Kazu!
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Fiquei tão emocionado quando vi... Um técnico de futebol artista! que pinta!
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"Fundamental é mesmo amor, é impossível ser feliz sozinho"
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(Inda bem que sempre fui tributário à No Wave)
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;-)
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Do contrário, imagine quanto sofrimento!
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Embora a dois o improvável fique mais possível.
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"Alegria batendo no peito
A vitória do meu tricolor"
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"Lá no alto
O sol quente me leva num salto
Pro lado contrário do asfalto
Pro lado contrário da dor"
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Adoro Mário Quintana. Que nasceu na mesma data que mamãe e morreu na mesma data que eu nasci.
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"Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. "
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"Viração virando vai"
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Lendo O que é Ideologia, da Marilena Chauí.
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O conteúdo é elementar. Be-a-bá Marxista, síntese bem apurada do cerne de sua obra e pensamento. O que me salta aos olhos é o quanto a autora consegue escapar à superficialidade exatamente pela austeridade linguística empregada ao destrinchar o referncial teórico que toma por base. É denso e não há uma vírgula dispensável. A dificuldade provém da clareza do raciocíonio, límpido e simples. Daqueles que dá gosto de dissuadir, na medida em que o leitor é instado a articular-se de acordo com a demanda da própria leitura. Cool.
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Por sinal, se não me engano, Karl Marx nasceu no dia cinco de maio.
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Freud no dia seis.
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Ambos tornaram evidente a invenção e a expropriação, a exploração e o prazer do humano pelo homem.
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Narrativas bem engendradas em torno da pureza e do caráter.
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A K., arteira, ressalta que o pensamento de Marx (não o Groucho, ok?) é utópico, está na própria assertiva. E então ela conta do amigo que era raivosamente partidário e que não dividiu um bombom trufado com um pedinte que certa vez o abordou na rua, no momento em que ele saboreava a iguaria...
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Trufas, meu bem, trufas...
Que o céu da boca é de brigadeiro...
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"Where is the line with you?"
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Aí vem o Parreira falar groselha na Isto é.
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Aí eu lembro que a parte menos pensante da comitiva esquerdixta diz que defender a igualdade de direitos civis para homossexuais é uma causa menor. E que daria munição aos conservadores.
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"Ninguém vai esperar a revolução para gozar", respondeu o Gabeira, ao que me consta.
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E o Parreira?
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Se nos der a chance de cantar, legitimamente, que a Copa é nossa, já está de bom tamanho, né não?
5.03.2006

Amigos,
Chegada a hora de dizer, Good-bye 27 anos...
Vai ser bom te reencontrar para assitirmos juntos ao Os Incompreendidos, na Sala Cinemateca, sexta-feira, depois de amanhã, às 21h15.
Foi com essa idade que François Truffaut realizou seu primeiro longa. O filme, um marco na história do cinema, deflagra a Nouvelle Vague ao receber a Palma de Ouro para melhor diretor em Cannes, 1959. O movimento francês de renovação estética e política eclodiu nas décadas de 50/60, pelas mãos de realizadores como Claude Chabrol, Jacques Rivette, Eric Rohmer, Jean-Luc Godard, além do próprio Truffaut. Eles fizeram um novo cinema, tanto mais espontâneo quanto auto-consciente de sua singularidade linguística.
Aniversários são tempos de renascimento. A etimologia da palavra designa 'o que chega, que volta, que se faz a cada ano'. Como revolver a terra, porque a semeadura nova sempre vem. Um tempo austero o bastante para ceifar o que feneceu, e terno o suficiente para medrar novos rumos às relações. Tempo bom de adensar a reflexão, pelo bem das paixões e o renovar do sentir.
Viva o cinema e todas as suas sensações! Viva os amigos e todos os seus múltiplos gestos, palavras e afetos! Viva os relacionamentos, com todas as suas pulsões e ritmos!
Abraço, e até lá!
Flávio
http://www.digerindopenas.blogspot.com/
SERVIÇO
Os Incompreendidos, sexta-feira, dia cinco, às 21h15, na Sala Cinemateca. Os ingressos custam R$8 (meia para estudantes e melhor idade).
A sala Cinemateca fica no Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, São Paulo, próximo ao metrô Vila Mariana. Tels. (55 11) 5084-2177 / 5539-0844 / 5084-2318 / 5084-3366
COMO CHEGAR:
De carro: A Cinemateca Brasileira fica próxima ao Parque do Ibirapuera. Pode-se chegar por meio de vias como avenida Sena Madureira, rua Joaquim Távora, rua Tutóia e rua dos Otonis.
De ônibus: As seguintes linhas passam pelo local:
475-R Jd. São Savério/Term. Pq. D. Pedro II 476-G Jd. Elba/Ibirapuera 5106 Divisa Diadema/Term. Princesa Isabel 6726 Jardim Gaivotas/Metrô Ana Rosa 675-X Grajaú/Metrô Vila Mariana 677-A Vila Gilda/Metrô Ana Rosa 695-V Term. Capelinha/Metrô Ana Rosa
A linha 476-G faz ponto final ao lado da Cinemateca
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O ouvido é mais exigente do que o olho.
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Ouvir bem é discernir. Acompnhar o ritmo dos sons, das palavras, dos gestos, da respiração, dos silêncios, sobretudo.
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Ser espontâneo é a única forma de ser melhor.
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Confiar em sua própria bondade é uma necessidade urgente. Ser bom pelo prazer de ser.
5.01.2006
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O silêncio tem sua própria força.
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O ciclo de uma renovação.
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Incorporar, sonhar, realizar e anunciar.
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Chegar mais perto de mim mesmo. Quebrar a casca. Sair do ninho. Desencontrar-se.
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Movimentos concêntricos de tomada de consciência.
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Devolver-se ao encanto, romper o vício.
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Quais são as circunstâncias da criação?
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Afeto-Cognição-Volição.
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Não me abandone que não quero ver o fim sozinho.
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Estar a serviço da personagem.
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Estar a serviço da própria escrita.
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A leitura me dá a medida do quanto ainda não sei.
A leitura me aproxima do que não sei.
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Sem distorcer a realidade.
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Cansaço para teorizar.
Sensibilidade para fazer.
Paciência para observar.
Persistência para descobrir.
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Não quero ser assassino de medos.
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Chorou para evadir toda fleuma.
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"Quem educa tem o dever de melhorar as gerações seguintes."
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Quais convenções imobilizam o meu trabalho?
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Como apresentar o todo da história?
Não decompor o conto. Não seccioná-lo.
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Criar meios singulares de contar.
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Escritas são aproximações.
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"Desígnio previsto pela teoria aristotélica: a representação nos permite conhecer aquilo que por medo ou repugnância, não ousaríamos contemplar."
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"A vida é uma pedra de amolar que vos desgasta ou vos afia, dependendo do metal de que sois feitos."
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Não alterar a aparência das coisas.
Que em tua companhia quero o silêncio.
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Literatura para ser mais exato comigo mesmo.
A palavra humaniza.
Para se dar a conhecer.
Para germinar sensações.
Comungar a dúvida.
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Palavra bonita é aquela carregada de significados. De dar a pensar.
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Aventura é para desencontrar-se.
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Minha poética ideal não é ostensiva.
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A escrita busca formas de conservar a vida pensante do autor.
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A palavra motiva a violação.
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A jovialidade provém da maturidade.
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Na transgressão encontra-se qual sentido do humano?
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Tornar familiar o sublime.
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Não abafar a vida pensante
Com o medo
com a ilusão
com a dispersão.
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Qual a importância do ato narrativo para a constituição da identidade?
(Vi a frase em algum filme, acho.)
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"A fabulação é o oposto da percepção."
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Qual é o meio-termo entre a hipocrisia da boa educação e a grosseria da má?
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Ponderar sobre o que fez mais do que sobre o que vai fazer.
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Não vou sofrer pelo que não quero.
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"Os covardes podem ser os últimos a morrer"
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Narrativas de atmosferas
Denegar
Obnubilar
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O que é isso mesmo?
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Precisa do invisível para tensionar. O visual sozinho não é nada.
Um outro registro, com outro status, que questione a narrativa.
Densidade em oposição ao fragmentário.
Fragmentário com imagens que se esgotam em si.
Denso ou fragmentário, a intenção é integrar ou desintegrar?
"Uma nova relação possível entre o espectador e o mundo que o cinema dá a perceber."
Interessa mais a história ou o que é feito dela?
Fábula-Tempo
Insuficiência do visual-cinema sensorial, percepção do espaço como sucessão de ritmos, experiência tateante.
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Eu não lembro o que é isso. Por isso anotei.
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Nem sempre o desejo é bonito e agradável de se ver.
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Mariana segurou minha mão entre as dela. Olhou para os ipês.
-São lindos, né?
-É, são bonitos.
Não havia outra coisa para se dizer.
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No primeiro domingo de sol.
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Dança comigo neste Carnaval?
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Cultivar
Coletar
Doar-se
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Bring On The Dancing Horses
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People Are Strange
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Diferenças
Desigualdades
Diversidades
Identidades
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Que as diferenças não sejam traduzidas em desigualdades.
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Você não encontra certezas. Não é uma narrativa para transmitir verdades.
***
Singularidade e indeterminação.
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"O desespero é o combustível da arte e do pensamento. "
"A esperança busca a satisfação fora de si."
"E é a melhor companheira do medo."
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A leitura possibilita a interlocução.
Atualiza o afeto.
O que acontece com as histórias lidas?
Nuances da leitura.
Singularidade das histórias, dos argumentos, dos leitores.
Todo mundo que lê, tem uma memória para viver, uma história para contar.
Escrever é um ato social e solitário.
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Começou Belíssima. Lips Like Sugar.
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Imagens devem dar a idéia de confrotamento.
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Só vi um trecho de Falcão. Mas deu a impressão de ser uma mistura de Caso Verdade com Cidade dos Homens.
***
Angúsita, família, escrita, natureza, isolamento, animais. Tudo na mesma linha, um único varal da memória.
***
O que a gente solicita de quem contamos histórias?
***
E então o sabotador caiu lá do alto do céu.
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Ele me abraçou. Mas as lágrimas não saíram.
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Um outro lugar para morar é utópico. Mas tudo que posso fazer nas rebarbas dessa situação é real.
***
Qual é a felicidade que eu preciso?
***
Não sou eu que o descubro, é você que se revela.
***
Só descobrimos o que se revela.
***
Descrever, não explicar.
***
Consciência-corpo-mundo.
***
O pensamento parte da experiência vivida.
***
A consciência provém da percepção.
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O corpo é o mundo da consciência.
***
O quê o mundo quer, de quem o vê?
***
Sentir-Entender
***
Conhecimento sensível
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A consciência para germinar idéias.
***
O pensamento não deve matar o olhar.
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Nossos sentidos têm unidade. A realidade, não.
***
O contato do corpo organiza os sentidos da consciência.
** *
"O pensar pensa, a palavra fala, o olhar olha."
***
Para que servem as opiniões do escritor?
***
"Pão ou pães, é tudo uma questão de opiniães. O sertão está em toda parte. "
